A reciclagem no Brasil é um tema amplamente discutido, mas ainda cercado por desinformação. Muitas ideias repetidas no cotidiano acabam criando uma falsa sensação de que o problema dos resíduos está resolvido ou de que as ações individuais não fazem diferença. Entre mitos e verdades, compreender como o sistema realmente funciona é um passo importante para fortalecer a coleta seletiva, a logística reversa e a economia circular.
Apesar dos avanços regulatórios e de iniciativas relevantes, o país ainda enfrenta desafios estruturais, culturais e econômicos que limitam o aproveitamento dos resíduos pós-consumo.
Mito: “O Brasil recicla a maior parte do seu lixo”
Essa é uma das afirmações mais comuns — e mais distantes da realidade. O Brasil recicla menos de 5% dos resíduos sólidos urbanos, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A maior parte dos resíduos ainda tem como destino aterros sanitários ou, em cenários mais críticos, lixões.
Isso não significa que a reciclagem não funcione, mas sim que ela depende de uma engrenagem complexa que começa na separação correta, passa pela coleta seletiva e chega à indústria recicladora.
Verdade: separar corretamente faz diferença
Separar resíduos corretamente é uma etapa decisiva para o sucesso da reciclagem no Brasil. Materiais recicláveis misturados com resíduos orgânicos ou contaminados perdem valor econômico e, muitas vezes, deixam de ser aproveitados.
A separação adequada facilita o trabalho das cooperativas, reduz custos operacionais e aumenta a taxa de reaproveitamento dos materiais. Embora pareça um gesto simples, ele influencia diretamente toda a cadeia da reciclagem.
Mito: “Tudo o que vai para a lixeira reciclável é reciclado”
Na prática, isso não acontece. Nem todo material descartado como reciclável consegue ser reaproveitado. Embalagens sujas, materiais compostos por múltiplas camadas ou resíduos fora de especificação técnica acabam sendo rejeitados durante a triagem.
Esse mito reforça a importância da informação. Saber o que pode ou não ser reciclado e como preparar os resíduos antes do descarte é tão relevante quanto separar por cores.
Verdade: cooperativas são a base da reciclagem no país
As cooperativas de catadores são protagonistas da reciclagem no Brasil. Elas realizam a triagem, a classificação e a comercialização dos materiais recicláveis, além de promover inclusão social e geração de renda.
Investir nas cooperativas significa fortalecer a economia circular. O ILOG – Instituto Brasileiro de Logística Reversa, por exemplo, direciona recursos para esse ecossistema, apoiando a estruturação e profissionalização dessas organizações, ampliando o impacto social e ambiental da reciclagem.
Mito: “A responsabilidade é só do poder público”
Embora o poder público tenha papel central na coleta e na infraestrutura, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece o conceito de responsabilidade compartilhada. Isso significa que cidadãos, empresas, comerciantes, fabricantes e importadores também são responsáveis pelo ciclo de vida dos produtos e embalagens.
A reciclagem no Brasil só avança quando todos os elos assumem seu papel de forma integrada.
Verdade: logística reversa é obrigatória para empresas
Empresas que colocam embalagens no mercado têm obrigação legal de estruturar ou participar de sistemas de logística reversa. Esse instrumento garante que os resíduos pós-consumo retornem ao ciclo produtivo, reduzindo o descarte inadequado.
O Selo Nós Reciclamos, do ILOG, é uma solução de compensação ambiental que comprova a destinação adequada das embalagens, oferecendo segurança jurídica, apoio regulatório e credibilidade para as marcas, além de combater práticas de greenwashing.
Mito: “Reciclar é caro e não traz retorno”
Quando analisada de forma isolada, a reciclagem pode parecer custosa. No entanto, seus benefícios vão muito além do aspecto financeiro imediato. A reciclagem reduz a extração de recursos naturais, diminui emissões de gases de efeito estufa, gera empregos e movimenta a economia local.
Além disso, empresas alinhadas às boas práticas ambientais fortalecem sua reputação, atendem exigências legais e se posicionam melhor diante de consumidores cada vez mais atentos à sustentabilidade.
Conclusão
A reciclagem no Brasil ainda enfrenta muitos desafios, mas também carrega um enorme potencial. Desmistificar conceitos equivocados é essencial para avançar de forma consistente. Informação, educação ambiental, fortalecimento das cooperativas e cumprimento da logística reversa são caminhos complementares para transformar resíduos em valor.
Entender o que é mito e o que é verdade ajuda a construir uma relação mais responsável com o consumo e com o destino dos resíduos. E essa transformação começa com escolhas conscientes, individuais e coletivas.
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